A “CABEÇA” NAS ATIVIDADES DE LONGA DURAÇÃO

Este é um tema abordado com muita freqüência no consultório! Muitas vezes a queixa do atleta é “faltou cabeça… eu tinha nutrição, mas faltou foco para terminar o exercício”. Pensando nessas questões, temos que entender exatamente o que acontece nesses casos para sabermos minimizar essas questões dentro do que podemos trabalhar na NUTRIÇÃO (enfatizo isso, pois realmente há outras questões que devem ser trabalhadas na psicologia, pois nem tudo depende de nutrientes).

O resultado esportivo deve ser analisado levando-se em conta as alterações do Sistema Nervoso Central. Uma importante alteração é a Percepção Subjetiva de Esforço (PSE).

A PSE é integração dos sistemas nervoso e periférico durante a atividade. Pode ser definida como: a percepção consciente do esforço para sustentar a atividade. Algumas evidências na literatura mostram que o comando no córtex motor pode influenciar o término VOLUNTÁRIO da atividade.

Quando os sinais internos como: dor muscular ou incapacidade de manutenção da homeostase tornam-se tão intensos que o indivíduo não é mais capaz de tolerar; ou ainda, a noção de custo fique maior que benefício, o desempenho esportivo será comprometido. Nesse sentido, podemos investigar o término da atividade por meio da PSE e sua taxa de incremento, em que a rápida elevação está relacionada com a exaustão do indivíduo. Quando a fadiga mental é instalada a percepção de esforço sofrerá os efeitos deletérios e a atividade, muito provavelmente, terminará antes.

Estudos demonstram a importância de diferentes estratégias para modular a PSE durante o exercício. Nutricionalmente falando, podemos lançar mão de substância como a cafeína pré e/ou intra treino (dependendo do indivíduo) para ajudar neste quesito.

Outras estratégias adotadas têm como objetivo mudança de foco na percepção com a finalidade de “mascarar” os sinais internos de fadiga e poder correr, pedalar ou nadar um pouco mais rápido.
Estratégias como música e carboidrato são outras ferramentas que podem ser utilizadas para “tirar o foco da dor”.

Utilizando estas estratégias, podemos ultrapassar algumas barreiras que possivelmente impediriam que o exercício continuasse muito antes do fim dos “estoques energéticos”.