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Afinal, preciso comer no pós treino imediato? Ou não devo me preocupar com horários?

img_1958Vejo muita gente banalizando a nutrição, principalmente a nutrição esportiva como se todas as estratégias alimentares super estudadas e discutidas em congressos mundiais fossem besteiras e nada disso fosse relevante. Confesso que me gera uma certa tristeza ao ver profissionais tratarem a Nutrição Esportiva desta forma.

 

Acho super válida a tendência de valorizar o alimento e reduzir o consumo de industrializados, mas daí a dizer que só o que importa é se alimentar bem durante o dia inteiro e ninguém tem que se preocupar com o que comer “ao redor de um treino” não é bem por aí…

 

Quando falamos de um treino realmente “bem feito” devemos considerar que este leva a uma real mudança no “comportamento celular”. Na recuperação de uma atividade de endurance ocorrem várias mudanças e ativações no tecido muscular. Essas mudanças podem durar algumas horas, variando mais ou menos tempo dependendo da intensidade e da duração deste treino (e é exatamente essas horas que podemos trabalhar com estratégias diferentes).

 

Mas por que esse tempo “pós treino” seria importante? Será que faz diferença o horário em que o mesmo ocorre? Sim! Dependendo da estratégia do seu nutricionista o carboidrato deve ou não entrar nesse momento e essa pequena estratégia (da colocação de determinado macronutriente pós treino) pode priorizar (gerar uma maior adaptação) à oxidação de gorduras ou a uma melhor recuperação de glicogênio muscular, por exemplo. Esse fato, sem dúvidas, irá impactar diretamente em seu treino seguinte (seja ele no mesmo dia ou não). Isso acontece pois a captação de glicose e atividade da glicogênio sintetase (uma importante enzima do processo) são maiores nas primeiras 2 até 3h após o treino. Após este período a atividade das enzimas começa a voltar para os valores de base.

 

É mostrado que o treino de endurance é capaz de aumentar a expressão de mRNA em grande número de genes principalmente naqueles envolvidos com biogênese mitocondrial e metabolismo. Além disso, este tipo de exercício também é capaz de aumentar a expressão de genes envolvidos no transporte de eletrolítico pela membrana (você sente muita cãibra? Talvez o que esteja faltando não seja o sódio!). A alimentação pós treino também estaria envolvida com esta adaptação. A escolha de proteínas e/ou carboidratos e/ou gorduras nesse momento irá influenciar em maior ou menor adaptação à atividade. Por isso , não há um alimento “certo” de ser ingerido “pós treino”, mas sim, há uma estratégia nutricional que deve respeitar a periodização do treino e a estratégia do treinador para a prova alvo/ objetivo do atleta.

 

Se você sente muita fome ao final de um dia em que treinou de manhã, provavelmente a sua recuperação deste treino não está adequada… Procure um nutricionista esportivo e a sua performance irá melhorar muito, pode confiar!

 

Como um resumo, gostaria que ficasse que o consumo de alimentos não industrializados, comidas mais naturais e com qualidade é fundamental para todos, sem dúvidas! Prezo por isso… Mas, se você é um atleta ou quer buscar uma evolução de performance, acredite: há muito mais ciência por trás de um simples “whey” do que se pode imaginar (graças a Deus!) …

 

Obrigada pela foto: Guilherme Guido!

 

 

 

Referências:

Substrate availability and transcriptional regulation os metabolic genes in human skeletal muscle during recovery from exercise. Metabolism 2005

A forty-year memoir of research on the regulation of glucose transport into muscle. Am J Physiol Endocrinol Metab 2003.

Analysis of global mRNA expression in human skeletal muscle during recovery from endurance exercise. FASEB J 2005.

 

 

 


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Julia Engel

2 Comentários

  1. excelente! mt bom seu site, nutri! To lendo o livro do Mark Sisson e cada vez minha dieta faz mais sentido…

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