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Jejum Intermitente e melhora de Endurance

Como sempre, a mídia e as redes sociais colocam um assunto “em foco” e muita gente começa a adotar aquilo como única e absoluta verdade! O que acho preocupante é quando não há um mínimo raciocínio ou questionamento bioquímico para analisar as “verdades absolutas” colocadas em questão.

 

Como já disse aqui, não adianta ler inúmeros artigos científicos se você não estudou e não tem uma base para saber questionar o que está sendo exposto. Mas, vamos lá: resolvi escrever hoje após ver inúmeras pessoas adotando o jejum como se fosse a única forma de melhora nos treinos de endurance.

 

Sem querer questionar a metodologia do jejum intermitente, só quero raciocinar em cima das melhoras propostas para mostrar que este não é o único e absoluto caminho para tal (e, se o seu nutricionista não te prescreveu este método, não significa que ele seja ultrapassado ou desatualizado! Ele, simplesmente, pode ter escolhido outro caminho bioquímico para o mesmo resultado final).

 

A ideia de que o jejum durante horas melhoraria a performance em um atleta de endurance é totalmente  correta: isso acontece quando fazemos uma atividade com as reservas de glicogênio bem baixas, o que “força” a uma adaptação ocorrendo aumento de algumas proteínas sinalizadores como PGC-1 alpha, gerando consequentemente aumento de transcrição de mitocôndrias – melhorando assim VO2 máximo e performance no treino.

 

Porém , o mesmo (a mesma sinalização) pode ocorrer  quando fazemos uma estratégia de não reposição de glicogênio muscular após a atividade. Ou seja, não é necessário o jejum absoluto, basta mudamos a composição (em macronutrientes) da refeição pós treino e o mesmo estímulo pode ser gerado no treino seguinte!

 

Escrevi isso para mostrar que ninguém precisa se enquadrar a um tipo específico de dieta para obter as melhoras necessárias! Com um simples conhecimento bioquímico, podemos adequar a dieta do paciente/ atleta da forma que mais o satisfaça, sem termos que necessariamente impor nada nem muito menos o que está na moda…

 

O conhecimento (de base) e o estudo ainda continuam sendo as melhores ferramentas para se trabalhar, não adote as redes sociais como verdades absolutas!

Bons treinos!

Fotos: Guilherme Guido.


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Julia Engel

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