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TESTE GENÉTICO: DEVO FAZER PARA EVOLUIR NO ESPORTE?

Com os avanços da ciência na área da genética, parece que o famoso “teste genético” para saber as suas aptidões físicas (dentre outras coisas) é o que há de mais moderno e individualizado para determinar as suas prescrições de treinamento e também alimentação. Mas será mesmo? Será que devo me basear 100% na informação fornecida pelo meu DNA?

Acredito que não. Isso porque o teste “lê” a sua sequencia de bases nitrogenadas do DNA, apontando assim um favorecimento para algum tipo de fibra muscular e aptidão/facilidade para determinado tipo de atividade/treinamento.

Um dos problemas é que estes testes não levam em consideração a Epigenética. Esta é a ciência que estuda tanto as mudanças herdadas, como as adquiridas ao longo da vida. As modificações epigenéticas podem alterar as funções dos genes, tanto inibindo como estimulando sua atividade, mas que não alteram as sequencias de bases nucleotídicas das moléculas de DNA.

Ou seja, nós podemos modificar muita coisa em nosso organismo desde que nascemos até a sua idade atual, dependendo do meio em que se vive, dos esportes praticados, do tipo de treinamento feito junto com determinado tipo de alimentação. E estes “novos dados” terão, certamente, mudado (metilado/ acetilado entre outras alterações epigenéticas) o seu gene de forma que a informação do DNA já não é mais tão fidedigna assim! Ou seja, o resultado lido no exame não levará em consideração essas mudanças ocorridas na sua epigenética.

E, pasmem, a contrário do que pensávamos até pouco tempo atrás, essas mudanças que sofremos com o ambiente e de acordo com as atividades que praticamos, podem sim ser passadas para as futuras gerações! Ou seja, treine muito, case um um homem (mulher) atleta e seu filho provavelmente será bem sucedido nos esportes. Rs.

Brincadeiras à parte, ainda podemos avançar muito com a nutrição em cima desta biologia molecular. Dependendo do tipo de alimentação antes/ após um treino, podemos direcionar mutilações importantes no DNA que favorecem um tipo ou outro de via metabólica favorecendo, por exemplo, a via de síntese de massa muscular ou de aumento de mitocôndrias. Há muitas formas de trabalhar a alimentação de acordo com o treino para favorecer a performance em determinado esporte… Há muita ciência para ser trabalhada!

Isso quer dizer que os testes genéticos não possuem nenhum valor? Não! O conjunto de informações geradas por esses testes podem de fato ajudar no entendimento das características de um indivíduo, mas deve ser somado com demais informações fisiológicas, bioquímicas, antropométricas e a nossa querida epigenética e não como informação única e definitiva. Além disso, não podemos esquecer de ter profissionais qualificados que saibam interpretar os resultados!

 

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Julia Engel

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