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ENTREVISTA – JULIA SETTE (Maratona de Berlin)

Para inspirar e contribuir com os maratonistas/ futuros maratonistas ou amantes da corrida, fiz hoje algumas perguntas para a minha atleta – Julia Sette sobre esta última maratona dela – Berlin 2017. Leia as curiosidades da preparação e da prova:

Quando foi a primeira vez que vc pensou em fazer uma Maratona? Quanto tempo de preparação acha que é o ideal (para alguém que está iniciando)?
A vontade de fazer minha primeira maratona foi no meio de 2015, na maratona do Rio de Janeiro, quando acompanhei várias amigas fazendo a maratona pela primeira vez. Ali senti que seria possível encarar os 42km. A partir daí, foi decidir aonde eu iria fazer, pois queria muito fazer fora do país. Minha preparação começou 4 meses antes, seguindo plano alimentar e planilhas de treinos à risca!

O que muda nos treinos quando o objetivo é uma prova longa assim?
A principal mudança são os finais de semana, quando você passa a fazer mais que 20 km durante pelo menos 8 semanas. Durante a semana a quilometragem aumenta um pouco mais e os treinos de musculação tornam-se tão importantes quanto os treinos de corrida. Para minha última maratona, fiquei 4 meses fazendo musculação três vezes na semana religiosamente.

Vc teve que mudar muito a sua rotina (fora treinos)?
O que muda mais pra mim foi a preocupação com o sono. Eu realmente sinto que dormir bem faz toda diferença e com isso alguns programas no final de semana acabam sendo comprometidos porque eu preciso dormir mais cedo.

E oa alimentação? Mudou muito nos meses anteriores à prova?
Não mudou muito pois eu já seguia um plano alimentar bem parecido nos meses anteriores. o que mudou foi ter um pouco mais de carboidrato na parte da manhã e as ceias pré-longos.

Você perdeu peso? Passou fome?
eu perdi peso, mas ao mesmo tempo nunca tive um percentual de massa magra tão alto. Fiquei bem seca, mas muito forte. Não passei fome em momento algum e sempre me senti com energia.

Suplementação – na sua opnião, é fundamental? Que Diferença faz?
para mim é fundamental, não só pela performance, mas principalmente para a recuperação pós treino. Em todos os meses para a preparação para a maratona, consegui administrar paerfeitamente meus treinos com minha rotina de trabalho, sempre me sentindo disposta, forte e sem ter nenhuma gripe ou baixa de imunidade. Essa era minha maior preocupação, conseguir treinar bem todos os dias sem comprometer meu dia a dia principalmente minha rotina de trabalho.

O que passa na cebeça nas fases na prova? Início/ meio e fim? Como controlar o “tédio”?
Eu gosto de comparar o momento da largada com o momento que você está em uma fila de montanha-russa. é aquela sensação de MEDO, DE se questionar se devia estar ali e ao mesmo tempo louca para “andar”. quando eu passo pela largada eu fico uns bons quilômetros tentando administrar minha corrida e minha euforia. Nas minhas 2 maratonas até os 21km pareceu tudo muito rápido e foi a partir dali que começou a bater todo tipo de emoção. Eu oscilo em “ferrou, vou quebrar” até “nossa, meu pace está ótimo” isso tudo em minutos de diferença. nos 5 kms finais, quando você tem certeza que já conseguiu, para mim o mais difícil é controlar a emoção. a sensação é que você ganha uma força que parecia estar escondida! Quanto ao tédio nunca senti em provas, mas acho que porque só fiz maratona em lugares com muita torcida.

Você faz provas com música? Que tipo?
normalmente faço e sempre com uma playlist eclética, desde músicas antigas, inusitadas e as que mais escutei nos treinos. na maratona de berlim, como não quis correr com o celular, levei um ipod bem velho do meu pai, com as músicas que tinham lá mesmo. levei mais para o psicológico, acabei nem precisando, era tanta animação durante o percurso que nem fez falta a música!

Na prática, a prova foi mais dura do que vc imaginava?
A maratona de berlim foi muita mais leve do que a minha outra maratona, a de chicago. Estava muito mais forte tanto fisicamente quanto mentalmente. Fiz a prova do jeito que queria, curtindo a CIDADE, a torcida e aquele momento tão especial. Lá pelos 34km não tem como não sentir um desgaste físico, mas consegui administrar bem e em momento nenhum pensei em desistir. Mas com certeza o que mais me deixou feliz, foi como eu terminei a prova. Fiquei muito bem, sem estar exausta, sai à noite para jantar me divertir, comemorar! Não tive uma gripe, mesmo pegando chuva durante quase toda prova, e no dia seguinte estava às 05h da manhã feliz no aeroporto pronta para curtir minhas FÉRIAS.

Excelente, Julia! Muito obrigada pela contribuição! 🙂

Fotos: Julia Sette


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Julia Engel

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