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Calor, Serotonina e Queda de Rendimento

Além dos “problemas” mais tradicionais do esporte que envolvem a musculatura propriamente dita, não podemos deixar de prestar atenção nos sinais do sistema nervoso central. Muitas vezes é aí que mora um diferencial entre dois bons atletas treinados.

A hipertermia (aumento da temperatura corporal) é um dos problemas que afeta diretamente o Sistema Nervoso Central (SNC) principalmente por alterar a permeabilidade da barreira hematoencefalica. Explicando melhor, esta barreira é uma espécie de membrana contra substâncias circulantes na corrente sanguínea, garantindo um ambiente estável para o perfeito funcionamento do cérebro.

Este aumento de permeabilidade causado pela elevação na temperatura corporal, permite que uma maior quantidade de serotonina chegue ao cérebro, causando grandes quedas na performance. Parece contraditório, não? Todo mundo costuma relacionar a serotonina a sensações boas e bem estar..

Mas, isso não durante o treino! O aumento da serotonina durante o treino leva a um estado de fadiga mental (menor recrutamento da unidade motora)! O ponto chave desta questão é a razão entre a serotonina e dopamina no sistema. Durante o exercício, a dopamina é responsável pelo aumento da motivação e disposição na atividade. Assim, quando a serotonina prevalece aumentam os sintomas de cansaço, alteração na percepção de esforço, baixa tolerância à dor e desconforto.

Deste modo, como na maioria das vezes não podemos alterar a temperatura do ambiente, a chave para performance seria minimizar ao máximo a elevação da temperatura corporal.

Como fazer?

Há estudos que mostram que a utilização de bolsas de gelo na parte superior da cabeça são eficazes neste situação (lima, 2011); fazendo com que os atletas corram melhor quando a bolsa é incluída no treinamento.

Na prática do meu consultório – passo a palavra para a experiência de Guilherme Guido: “já usei o saco de gelo em algumas provas em que a temperatura ambiente estava muito elevada e a umidade do ar muito alta. Nesta ocasião a gente pegava o gelo do cooler nos postos de hidratação e jogava no macaquinho. Aliviava bem na hora. Depois eles começaram a distribuir sacos de gelo mesmo, que a gente colocava no ombro/ cabeça. A sensação de alívio na hora é boa”.

FotoS: Guilherme Guido


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Julia Engel

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