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Sistema Nervoso Central; Hipoglicemia e Limite no Exercício

Como sabemos, não são só os mecanismos musculares em si limitam a continuidade ou a evolução de uma atividade física. A interação entre o sistema nervoso central e o sistema periférico (músculos) torna a compreensão do limite e evolução da performance em um processo fisiológico muito difícil de entender (e então “resolver”; ou seja, mexer no que se deve para que haja evolução)

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Existe no comando central um limite tolerável de alterações metabólicas e bioquímicas durante a prática do exercício. Nosso papel (como nutricionista ou treinador buscando performance) seria minimizar fatores que possam diminuir este limite tolerável. Há inúmeros fatores e, no texto de hoje, vou enfatizar a hipoglicemia (baixa de glicose no sangue)

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Muita gente acha que a utilização de gordura como fonte de energia para uma atividade é a chave para o sucesso, pois não ficaríamos reféns do glicogênio (glicose armazenada no músculo e/ou fígado) para a atividade. Em partes, este raciocínio está correto: ter uma boa oxidação de gorduras e não depender exclusivamente da glicose como fonte de energia é vantajoso. Mas, o mais interessante seria a junção dos dois, ou seja, usar a gordura como fonte de energia e manter sempre a glicemia “ótima” no sangue durante a atividade.

Isso porque a queda da glicemia é um sinal importante no SNC gerando um efeito inibitório. Este traduz-se na musculatura como redução da intensidade ou interrupção da atividade. Para evitar esta baixa de glicose no sangue é essencial ter o estoque máximo de glicogênio feito antes de começar uma atividade. Neste sentido diversos estudos demonstram que ingestão de carboidrato (CHO) durante a prática de atividades físicas é uma estratégia interessante, no entanto, mais recentemente, vem sido descrito que o gosto eo cheiro de CHO também pode promover efeitos ergogênicos através de mecanismos chamados de não-metabólico ou efeito central. Essa estratégia é conhecida como “mouth rinsing” onde o atleta realiza somente um bochecho da bebida com CHO. Em um estudo publicado recentemente, foi demonstrado que essa estratégia melhorou a capacidade de endurance na esteira, enquanto o placebo não promoveu benefícios. Importante ressaltar que a efetividade dessa estratégia dependerá dos níveis prévio dos estoques de glicogênio do indivíduo, da intensidade e duração da atividade realizada.

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Texto escrito em parceria com Gustavo Monnerat (PhD – bioquímica/ fisiologia UFRJ).

FOTO: Guilherme Guido

Fonte: www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26302885


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Julia Engel

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