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A temperatura externa pode aumentar o consumo de carboidratos?

Na semana passada escrevi um pouco sobre a queda de desempenho de um ciclista que pode ter ocorrido pela baixa temperatura ambiente; Curiosamente, essa semana acabou de ser publicado um artigo mostrando que, acima de determinadas temperaturas, é provável que ocorram alterações metabólicas (um maior consumo de carboidratos durante atividade) induzidas pelo estresse térmico (com maior liberação de catecolaminas).

O estudo foi publicado no ‘European Journal of Sport Science’ e mostra que, em ciclistas treinados, a taxa de oxidação de carboidratos foi significativamente mais elevada quando os mesmos realizavam atividade de intensidade moderada em temperatura de 40 graus. Já, quando a intensidade do exercício foi alta, esse aumento do consumo de carboidratos começou antes, com a temperatura de 34 graus. Ou seja; para nós, brasileiros, logo teremos essas temperaturas em um treino.

Acredito que essa atenção deva ser dada quando estamos calculando o programa nutricional para uma prova alvo. Muitas vezes, não vai adiantar o indivíduo estar muito adaptado a usar gordura como fonte de energia, sem enzimas e todo o metabolismo necessário para a oxidação de carbos. Na hora da prova, pode faltar e o atleta, inevitavelmente, pagará o preço. 

Como eu sempre gosto de frisar, acho o crossover metabólico muito importante para a performance em provas; o que significa adaptar bem o atleta para usar tanto a gordura/ corpos cetonicos quando o carbo como fonte de energia. 

Para nós, nutricionistas, cabe fornecer um cenário que permita tal alteração. Devemos saber interpretar o que a fisiologia aponta e trabalhar para dar tudo o que AQUELE atleta necessita, sem radicalismo e sem tentar impor uma tendência ou modismo.


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Julia Engel

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